Para sempre

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Numa ansiedade adolescente, saí de casa uma hora mais cedo do que o previsto. Tinha passado longos momentos num ritual de preparação, qual noiva casta e donzela. Percorri lentamente os poucos quilómetros que nos separavam, a rever mentalmente a tua imagem, as tuas palavras, a tua voz.
Cheguei e fiquei à espera. Rectifiquei várias vezes a melena no retrovisor. “Achas-me bonita?”
Quis desistir, ir embora, ficar sem saber como seria… Mas esperei.
À hora marcada, ligaste a dizer que tinhas chegado. Estavas à minha espera. O coração deu um salto. Vesti a voz mais calma que fui capaz: “também cheguei agora mesmo”.
Subi as escadas e lá estavas tu, copo de gin na mão, à minha espera. Encostado, ocupado, distraído… ou talvez não. “Gostaste de me ver?”
O mundo devia ser sempre assim, perfeito. Como o mar, do lado de fora da janela, a enrolar-se na areia; como a lua, muito cheia de amor, no céu, a namorar as estrelas; como o nosso olhar cúmplice mergulhado em ternura. Comunhão total.
Quando pousaste a tua mão em cima da minha, percebi finalmente que o mundo podia acabar ali. “Quero ficar contigo para sempre”.
E ficaste.
Ficaste comigo.
Sempre.
Para sempre é que demora mais um bocadinho.

Autoria de Perfeito Estranho

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