Semáforo

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Corro a cidade sem saber se é a ti que procuro ou se é de ti que
fujo… tal é a confusão que as voltas me fazem, tal é a repetição dos
prédios, dos lugares. Lugares comuns porque repetiram-se vezes demais
nos meus olhos e já não deixam lugar para a imaginação.
Corro a cidade com a mesma determinação com que corri do campo, com
que fugi das árvores e dos silêncios, dos verdes e dos tons
acastanhados. A mesma determinação que agora me embacia os sentidos,
os mesmos silêncios que me deixam saudades dos verdes, os mesmos tons
acastanhados que me deixam saudades do indeterminado, da ausência dos
semáforos que me gritam aos olhos que devo andar, que devo parar.
Corro a cidade e trago no nariz os mil cheiros que me inundam no
caminho, trago os carros e os seus escapes, trago as casas e os seus
jantares, trago as pessoas e todas as suas vidas presas no nariz.
Corro a cidade e trago na boca os sabores das lojas, o sabor dos
placards, o sabor dos copos que me acompanharam na vida, dos martinis
e dos gins tónicos, dos vinhos bebidos sem racismos e sem distinções.
Corro a cidade com a mesma determinação de quem corre a maratona… à
espera de ver a fita ao fim da corrida.
À espera que alguém me diga que não faz mal parar!

Fátima, 35 anos, Açores, 23h50, Autoria de Sandrine

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