Percorro-te no pensamento

sail

Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento.
Um veleiro, ondulando nas tuas curvas
deixando o rasto lânguido dos lábios à deriva
Descendo húmidos, vestidos de sal, ancorados em ti

Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento.
Guiado pelos sinais da pele, que guardei como estrelas
Rosa-dos-ventos das minhas mãos nesta escuridão
E no entanto vejo-te tão nítida no pensamento

Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento.
Passo a passo. Paragem a paragem. Num ritual minucioso
Diluindo-me nos teus gemidos porosos
Absorvendo cada estremecer do teu prazer

Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento.
E quando nos revirmos não precisarei de olhos
Mostrar-te-ei todos esses caminhos
Que tenho guardados para ti

O gelo do gin-tónico estalou e houve quem dissesse ter ouvido um ligeiro içar de vela e um levantar de brisa quente, mais forte, vinda do Sul.

Kafka Tamura, 42 anos, Sid-Bou-Said, 2:00 PM | Autoria de Dry-Martini

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