Vivemos algures, tantas vezes

tempo2

O tempo é um assassino
A memória uma prisão
Vivemos algures entre os dois
Pendendo. Balançando.
Como uma folhagem ao vento.
Ondulando. Numa espécie de maré.
Cobertos por um manto sempre escasso.
Que se tapa a cabeça destapa os pés

Vivemos algures entre espadas e paredes
Lâminas gastas, pelo tempo, ou demasiado afiadas
Superfícies de seda ou texturas
Entre torpores e sorrisos
Mágoas e vontades

Vivemos tantas vezes
deixando nas mãos do tempo
O fino garrote do silêncio
Cortante. Implacável.
Estrangulando aos poucos o calor
deixando-o esvair-se, à morte

Desculpa, mas não sou capaz
Gostava de ser. Acredita
Permito-me sempre a uma conversa,
a um abraço, a um último olhar
a um quadro colocado nalguma parede interior
Por mais pequeno. Por mais insignificante.
Só assim me faz sentido. Só assim parto em paz.
Em paz comigo. Em paz com os outros.

Foi nesse preciso momento que a garrafa de gin pegou no telefone e ligou

 

David Crocket, 37 anos, Madrid, 8:30 AM | Autoria de Dry-Martini

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