Fronteira

dilui

Pousou o copo de gin tónico e olhou a linha ténue onde o horizonte se mistura com o mar. Respirou pausadamente, de uma forma mais funda, como para apagar um incêndio que pensara extinto. Mas que teimava em reacender quando menos esperava. Era assim há algum tempo. O tempo de nem já ligar ao tempo.

Bebeu um último trago e saiu. Deixando para traz uma folha de papel amarrotada, que o vento parecia querer desenrolar. Revela-la ao mundo. Ao mar. Que parecia também crescer em curiosidade.

Uma carta que apesar da vontade não conseguira enviar. Do copo de gin deslizaram então algumas gotas que, absorvendo o papel, se apoderam das suas palavras deixadas. Por vezes as melhores. Guardando-as, quem sabe, para um dia chegarem ao seu destino. Rezava assim:

A nossa fronteira é a pele

De onde não podes sair.

Onde não posso entrar.

E no entanto vivemos misturados.

No interior do beijo que ainda perdura.

No fundo deste mar de sentidos.

Onde sempre nasce esta sede estranha

Que nos tem. Que nos dilui.

Daniel Sempere, 38 anos, Patagónia, 19:00 PM | Autoria de Dry-Martini

2 comentários

Filed under Polaroids cruzadas

2 responses to “Fronteira

  1. Olha, olha, um Daniel Sempere, conheci um, em tempos, na curva de uma sombra ventosa.

    Xin xin

  2. Menina Mlee,

    Prezo em saber que está para as curvas .)

    XinXin

    PS: Com ou Sem pere .)

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