Arquivos Mensais: Novembro 2008

Noite despida

As lanternas dissipando uma luz de velas. Oscilando, em sons de metal antigo, por entre a leveza da brisa inconstante. Sem padrão. Imprecisa. Acenando à lua cheia, prisioneira de todos os olhares. A noite calada. Cúmplice. Numa tranquilidade atenta. Parada, … Continuar a ler

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O interior dos espelhos

Gosto de espelhos venezianos e dos reflexos da tua dança que neles passou a habitar. Uma flamenca luta interior que se alojou no ouvido atento. O bater dos teus saltos, de noite. Ora próximos. Ora distantes. Tão presentes. Como uma … Continuar a ler

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Percorro-te no pensamento

Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento. Um veleiro, ondulando nas tuas curvas deixando o rasto lânguido dos lábios à deriva Descendo húmidos, vestidos de sal, ancorados em ti Percorro a lentidão do teu corpo com o pensamento. … Continuar a ler

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Acontece

- Sobe – ordenou o senador Spiralgold ao seu piloto privativo. O helicóptero zumbiu e tomou altura, oscilando levemente. – Acelera – disse apressado o senador para o piloto atento. O piloto carregou no botão. O fundo abriu-se e o … Continuar a ler

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Vivemos algures, tantas vezes

O tempo é um assassino A memória uma prisão Vivemos algures entre os dois Pendendo. Balançando. Como uma folhagem ao vento. Ondulando. Numa espécie de maré. Cobertos por um manto sempre escasso. Que se tapa a cabeça destapa os pés … Continuar a ler

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Fénix

Acordara absurda. De um ridículo insuportável, que quase se via reflectido na garrafa de gin abandonada junto aos copos soltos, vazios. Oferecera-lhe o avesso de si. O calor da alma. Sonhos e memórias entrelaçados. Oferecera-lhe as águas mais puras que jamais … Continuar a ler

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Fronteira

Pousou o copo de gin tónico e olhou a linha ténue onde o horizonte se mistura com o mar. Respirou pausadamente, de uma forma mais funda, como para apagar um incêndio que pensara extinto. Mas que teimava em reacender quando … Continuar a ler

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Búzio

Nada. Ninguém. A sala despida de tudo. A TV desligada. Esquecida pela vontade de nada saber. De nada querer. Ausência de som. De movimento. Apenas um leve oscilar do cortinado. Uma dança imprevista. A textura polida dos objectos percorrida pela … Continuar a ler

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Polaroids cruzadas

  Personagens com nomes retirados de livros. Homens, mulheres. Diferentes idades, horas e locais. Seres reais ou mitológicos. Animais. Frutos ou plantas. Objectos. Encontros e desencontros. Histórias soltas ou que se cruzam. Num emaranhado estranho. Com pontas soltas. Reencarnações e … Continuar a ler

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Nova casa

  Esta vai passar a ser a minha nova casa.  Ainda não sei se na primeira pessoa se apenas como mero narrador de personagens que nela viverão. Seres reais ou mitológicos. Personificações ou metáforas. Espelhos de mundos ou lâminas interiores. … Continuar a ler

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